O professor Octavio Pontes avalia as evidências da associação entre ingestão de açúcar e risco de demência. Segundo ele, essa evidência é mostrada nos resultados mais recentes do Global Burden of Disease, um estudo multicentro internacional que avalia a relação entre fatores de risco e desenvolvimento de doenças crônico-degenerativas. Esse estudo tem mostrado um estilo de vida saudável, ativo com exercícios e também com um sono adequado, com uma dieta adequada evitando o abuso de álcool, nicotina e açúcar para proteger o cérebro.
Na verdade o cérebro precisa de glicose e açúcar para funcionar. A glicose é o principal combustível do cérebro, dos neurônios, no entanto, um aumento permanente do nível de açúcar no sangue, principalmente devido a refeições muito abundantes e lanches constantes, parece sobrecarregar o sistema e incentivar o desenvolvimento de doenças neurológicas, particularmente demência e AVC. Para se ter uma ideia, o consumo per capita de açúcar na Europa foi calculado próximo de 33,2 kg por ano por indivíduo, o que é o dobro da quantidade recomendada.
Pontes afirma que os níveis elevados de açúcar no sangue parecem danificar os vasos sanguíneos do cérebro e promovem o desenvolvimento de depósitos na parede dos vasos sanguíneos, reduzindo o fluxo sanguíneo e fornecimento de nutrientes para as células do cérebro. Uma série de estudos tem mostrado uma associação também entre um aumento dessa dieta rica em gordura e açúcar e o desenvolvimento do diabetes mellitus, que pode causar diretamente danos cerebrais também. Então é muito provável que essa dieta inadequada leve, a longo prazo, a uma perturbação da vasculatura cerebral e assim da nutrição desses neurônios no cérebro, favorecendo desenvolvimento de demência vascular e até do Alzheimer.
O mais sensato atualmente é quebrar esse ciclo vicioso, ressalta o professor, evitando a dieta rica em açúcar, um esforço que vale a pena porque 40% dos casos de demência em 90% dos casos de AVC são preveníveis, muitos deles ligados ao excesso não só de açúcar como de gordura, além de outros fatores de risco, como o tabagismo e o sedentarismo, a hipertensão arterial sistêmica e o abuso de álcool. E recomenda que todos evitem o excesso de açúcar na dieta para prevenir doenças cardiovasculares e cerebrovasculares.


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